O salão de festas está lotado. As bandeirinhas, que não deixam os convidados esquecerem que se trata de uma Festa Julhina, estão todas coloridas balançando no alto. As pessoas estão vestindo as elegantes roupas de inverno e se agarrando à seus casacos, devido ao típico frio do mês de julho.
Todos tem com quem conversar, mas eu sou uma exceção. Mesmo cercada de pessoas, me sinto sozinha.
Levanto da mesa e vou andar pelo salão para encontrar algo para comer ou fazer. Mas tudo aquilo me parecia corriqueiro demais! As mesmas comidas de sempre e toda a festa em geral, que vou todos os anos desde pequena.
Me lembro que quando era pequena costumava ir nos brinquedos com meus irmãos e, para falar a verdade, sempre me divertia muito. Porque então agora tudo isso parece tão chato e entediante? Já sei a resposta: isso se chama "adolescência".
Conforme crescemos parece que tudo se torna mais complicado e começamos a nos perguntar se é um sentimento só nosso ou se acontece com as outras pessoas também. A resposta é não. Com certeza isso não acontece apenas com a gente.
Enquanto ando pelo salão, milhares de pensamentos passam pela minha cabeça, até que avisto alguém que chama minha atenção. Um garoto com aproximadamente a mesma idade que a minha; seus olhos pareciam duas estrelas brilhando, seu cabelo estava arrepiado em um penteado estiloso e a camisa azul que ele usava realçava sua pele pálida e seu corpo atlético.
Ele estava sentado em uma mesa com algumas pessoas que aparentavam ser seus pais e irmãos, ou primos ou até amigos.
Enquanto conversava, ele abriu um sorriso, me pegando de surpresa e me deixando completamente fascinada. Felizmente, ele não havia me visto e eu apenas o observava parecendo uma idiota parada no meio do salão.
Minha vontade era ir até lá e me apresentar, conversar... mas e o que eu faria com toda aquela timidez que sempre me assombrou? Mas, pensando vem, o que poderia acontecer de tão terrível? Levar um "Não"?
Estava resolvido. Comecei a andar em direção à mesa onde ele se encontrava. De repente senti alguém me cutucando por trás. Era minha mãe me dizendo que já estávamos indo embora. Tentei contestar e pedir por mais alguns minutos, mas não teve jeito. Teria que ir naquele momento.
Quando finalmente eu crio coragem sempre te alguém pra atrapalhar. Ninguém merece!
Dei uma última olhada no garoto que mais parecia um anjo. Nesse instante, ele olha em minha direção e nossos olhares se encontram. Sem perceber eu sorrio para ele e ele retribui o meu gesto.
Aquele pequeno ato, sem dúvida nenhuma, fez toda a festa valer á pena e ficaria na minha memória por muito tempo.
Acenei, demonstrando que já estava de saída e ele fez o mesmo. Pronto! Agora poderia ir pra casa.

